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Crescer

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Quando somos crianças, nosso maior sonho é nos tornarmos adultos. Observamos nossos pais saindo de casa em direção ao trabalho, a independência deles, e imaginamos um dia adultos e vivendo a profissão de nossos sonhos. A fortuna que conquistaremos, as viagens, o mundo lá fora... Vem o tempo e eis que ele nos leva para a maioridade, e com os anos nas costas nos vemos diante de uma palavra tão grande e pesada: RESPONSABILIDADE. A liberdade já não é mais ser tão livre assim, a profissão dos sonhos te exige suor na testa diante a jornada até chegar o topo. Percebemos que agir traz consequências, e não agir traz consequências. Aprendemos que saber   traz consequências, e não saber também traz consequências. Percebemos que no mundo adulto precisamos sempre ter as respostas porque sempre haverá consequências por cada agir ou conhecimento que se tenha. Ou quando não tiver também. E no meio de tudo você sempre deve saber o que fazer, sempre tem de ter uma resposta ou at...

Little bird

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Pequena andorinha Dizem que tu sozinha não fazes verão Contraditório não? Tão pequena és tu, o mundo tão gigante Porém ao olhar para ti, no fundo dos teus olhos de pássaro, Enxergo uma imensidão de sonhos E o mundo lá fora torna-se menor que os medos e pensamentos   de que não irás vencer os ventos contrários Há sempre ventos contrários, Redemoinhos que perpassam por tua plumagem branca como a neve Pequena andorinha, tu que voas por entre o céu do Criador, não te deixes levar pelas ilusões humanas És linda e única demais para este mundo passageiro Minha pequena andorinha De plumagem branca como a neve Voa, voas para o horizonte Pois o teu Norte está logo ali Segues e não temas os ventos contrários, Eles fazem parte da vida De ti, de mim, deste pequeno ponto de terra e água no meio do Universo Minha pequena andorinha Não fazes verão sozinha, de sorte Mas aqueces o meu nobre coração Não te esqueças enquanto voas para o horizonte Para o ...

Fluidez

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Há fluidez quando há paz, Há fluidez quando há momentos ricos de simplicidade. Não existe pressa, no entanto, os momentos passam tão rápido e seguem na memória da gente. Tempo, doce tempo. O caminho desértico passou por mim, suas areias silenciosas, por vezes, quentes e angustiantes, cruzaram por meus pés descalços. Dunas, dunas do senhor tempo que passou sereno e belo. E eis que o dia veio, no raiar de mais uma manhã aparentemente pacata tais quais suas irmãs, senti amor naquele olhar. Sei que viestes para ficar, Viajante. Sinto que seguro sua mão para não soltar. E nos sentimentos que fluem de um coração para o outro, seguimos. Futuro, misterioso futuro. O que reservas para nós? O passado que outrora era presente nos fez andar sobre a espera de um sonho que parecia não chegar. Um dia pode ser rápido para os amantes, mas tão lento para quem desconhece quando os sonhos irão se realizar. Fé, tenhas fé em mim . Tu, futuro, era o que me dizias. E eis que cump...

Baile da vida

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Na natureza não há pressa. A vida segue em meio a uma valsa lenta, totalmente entregue as leis invisíveis que a tudo molda e conserva. Leis invisíveis do tempo. Tempo, senhor do passado, do aqui e agora, e dono do futuro que ainda virá. Mestre implacável que não respeita o que não ajudou a construir. Na vida não há pressa porque não pode haver beleza sem capricho, e não existe capricho sem horas, meses e anos a fio de trabalho árduo. E o que dizer sobre os sonhos? O que dizer sobre o desejo que parece bailar a nossa frente para sabermos que existe, porém, se esvai sobre os nossos dedos, negando a vontade de tocar- e não poder. O que dizer sobre as portas que se fecham? E as que nunca abriram? Ou do amor que partiu para vida lá fora ou para os braços da Indesejada das Gentes como declara meu amigo Manuel Bandeira? “E as coisas da alma costumam ser demoradas.” Disse uma vez uma sábia Veneranda do mundo de lá para o mundo de cá. É difícil não saber, eu sei. O ...

Metáfora do deserto...

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“Até quando Deus parecia ter me abandonado, Ele estava me vigiando. Mesmo quando Ele parecia indiferente ao meu sofrimento, estava vigiando. E quando eu perdi toda a esperança de ser salvo, Ele me deu descanso, e me deu um sinal para eu continuar a jornada". (As aventuras de Pi) Tem sido um longo tempo, um longo tempo sobre o deserto. Sobre o silêncio, sobre a ausência, sobre a espera. Antes eu acreditava que tinha que correr, que quanto mais corresse mais rápido deixaria as dunas quentes e ásperas para trás. Corri para voltar para o mesmo lugar, corri para descobrir que avançara somente alguns passos. Alguns passos e a minha frente quilômetros de areias amarelas como o ouro. Ainda há caminho, ainda há dunas quentes e ásperas, ainda há silencio, ausência e espera. Olhei abaixo e vi meus joelhos ralados, meus pés ressequidos, senti minha boca seca e percebi o quanto correra para estar sob o mesmo lugar. Olhei para o céu, era noite. E sob o tapete negro cintilante e...

Cais...

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Depois da tempestade, a calmaria chega. O silencio e a quietude alcançam a costa já desgasta pelos dias de tormenta. Pela chuva que intensamente fustigava a maré contra a rocha. A rocha da encosta que corajosamente sustentou-se frente às ondas do mar que batiam sobre ela violentamente. Não houve ruídos, apenas as lascas que a maré levara. Em silencio a rocha suportou corajosamente a tempestade até a calmaria chegar. Há tempo agora, Tempo para o refazimento. O equilíbrio tão pedido que vem para salvar, para reconstruir. As ondas levaram sem piedade o que era velho, para o novo então surgir sobre a encosta que corajosamente suportou a tormenta. As lascas velhas e gastas se foram, e o novo há de vir sobre as mãos do tempo.

Feridas

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Queria que as feridas se curassem com um banho de água quente.