Baile da vida
Na natureza não há pressa. A vida segue em meio a uma valsa lenta, totalmente entregue as leis invisíveis que a tudo molda e conserva. Leis invisíveis do tempo. Tempo, senhor do passado, do aqui e agora, e dono do futuro que ainda virá. Mestre implacável que não respeita o que não ajudou a construir. Na vida não há pressa porque não pode haver beleza sem capricho, e não existe capricho sem horas, meses e anos a fio de trabalho árduo. E o que dizer sobre os sonhos? O que dizer sobre o desejo que parece bailar a nossa frente para sabermos que existe, porém, se esvai sobre os nossos dedos, negando a vontade de tocar- e não poder. O que dizer sobre as portas que se fecham? E as que nunca abriram? Ou do amor que partiu para vida lá fora ou para os braços da Indesejada das Gentes como declara meu amigo Manuel Bandeira? “E as coisas da alma costumam ser demoradas.” Disse uma vez uma sábia Veneranda do mundo de lá para o mundo de cá. É difícil não saber, eu sei. O ...