Postagens

A beira-mar

Imagem
É final de tarde, e parei um pouco de frente a praia antes de ir para casa. Tirei o paletó, arregacei as mangas da camisa e tirei os sapatos. Na praia algumas pessoas caminham, outras correm, há crianças brincando na água. Me sento na areia e olho para o Sol já se pondo no horizonte, a água do mar parece abraçá-lo com carinho após um dia de trabalho. “Talvez até o Sol precise de um abraço no final do dia...”, pensei comigo mesmo. “O mundo hoje parece uma pintura borrada. Não sabemos o início, muito menos o fim. As certezas são confusas, a justiça antes cega aprendeu a abrir os olhos e escolher os seus, e os que desejam amar com o coração são vistos como tolos, sem razão. “A liberdade não olha mais para os lados, não respeita mais os bens alheios. A liberdade corre em alta velocidade no seu carro de luxo, aprisiona os honestos e solta os viciados no poder e na luxúria.” O vento passa por mim enquanto me perco nos meus pensamentos, balançando meus cabelos e sinto o cheio salgado da maresia.

Presente adiantado

Imagem
Que para cada porta fechada, haja uma janela aberta. Que para cada dia nublado,  frestas de luz do Sol aqueçam e iluminem o seu caminho. Que para cada cansaço,  um lugar para descansar alguns minutos e retornar a lutas do dia-dia. E para cada fim de dia, um lindo pôr-do-sol.

Sobre a pedra...

Imagem
Era uma vez uma grande pedra que estava na entrada de um vilarejo. Desde que o mundo é mundo, e desde o nascimento do pequeno povoado, aquela imensa pedra sempre estivera ali. Muitos viajantes e moradores passavam por ela; alguns descansavam, outros se escondiam de ladrões, mas ninguém reparava realmente ou dava a devida importância. Certo dia, um rico artista mandou que seus homens retirassem a imensa rocha e a levassem para o seu estúdio; as pessoas não conseguiram entender a razão de tal intento do “excêntrico” artista para reparar e perder o seu tempo com uma pedra qualquer, mas o homem não se importou. Em seu estúdio, ele pegou suas ferramentas e começou a bater naquela pedra, retirando as lascas que saíam ou limpando a poeira em torno. Os dias tornaram-se semanas, as semanas em meses e tudo o que as pessoas ouviam eram apenas os ruídos das ferramentas sobre a pedra. Ninguém conseguia descobrir no que o artista trabalhava. Até que um dia todos do vilarejo viram uma lind…

O guerreiro do deserto...

Imagem
Sinto como se eu estivesse por atravessar um grande deserto, Um deserto de silêncio e de espera. Constantes tempestades de areia passam por mim violentamente, Tempestades de ausência que roubam energias e secam a minha boca. Um guerreiro com sede, com dúvidas sobre si mesmo e se irá encontrar o paraíso perdido, ou morrer tentando ali sozinho. Me sinto atravessando um deserto em busca dos meus sonhos, Ás vezes, eu cedo os meus joelhos ao chão. Finco minha espada na areia quente e tento me recompor. São tantos anos esperando, tanto tempo buscando os sonhos aparentemente em vão. As possibilidades surgem vez ou outra, como quando você olha para o céu e enxergasse as nuvens se formando para logo mais a chuva cair. Mas a chuva não cai, e as nuvens tão certas se vão. E as possibilidades que pareciam verdadeiras caem no vácuo. Sou como um guerreiro atravessando um imenso deserto de silêncio e espera, um guerreiro com sede. Mas não posso sentar-me por muito tempo, não posso desistir. Porque …

O príncipe e eu...(parte 3)

Imagem
-Aqui?- perguntei surpresa             -Sim, e porque não? Não é como se dançássemos pela primeira vez.- disse Tan             Lembrei de um dos episódios que passamos juntos, acabamos em um vilarejo pobre da Coréia do Sul. Era o dia de um casamento de uma das famílias que nos abrigaram amigavelmente após o incidente da chuva, onde conheci Tan. Acabamos dançando naquele dia, ambos tímidos um com outro.

Espero que toda a saudade oculta pela luz do sol Possa te revelar o que há em meu coração
No começo, eu não suportava Kim Tan. Achava-o metido, cheio de si, controlador, achava que sabia de tudo sobre tudo, inclusive sobre as pessoas. Tan não morreu de amores por mim também; segundo ele, eu era metida a sabichona, teimosa e arredia. Discordávamos sobre tudo e a cada minuto, não sei como decidimos ficar juntos e chegar a capital, porquê não tomamos caminhos diferentes, destino talvez. Naquela noite no povoado singelo e acolhedor, dançamos e aqueles minutos dissiparam os primeiros …

O príncipe e eu...(parte 2)

Imagem
-Vem comigo, há algo que quero lhe mostrar. – disse Tan segurando minha mão e me conduzindo para fora do palácio.
Caminhamos pela trilha cheia de luzes pequenas que ornamentavam o corredor em direção ao jardim do palácio, pelo que pude perceber. Permanecemos de mãos dadas, andando em silêncio. As mãos de Tan são macias e quentes, com facilidade sua mão cobria a minha mão pequena; vez ou outra ele a apertava delicadamente, seu polegar acariciava o dorso da minha mão.

- Quando pretende voltar ao Brasil?- perguntou Tan quebrando o silêncio. - Meu vôo é amanhã a tarde.- respondi Tan parou de andar e olhou para mim. Seu rosto contraído, a teste formando uma ruga. -Amanhã? Pensei que ficaria mais uns dias aqui. -Quanto mais tempo ficar, mas difícil será partir. Sua nomeação é daqui a um mês estou certa? Jan-dii me contou, ela está desenhando várias peças de roupas para muitas pessoas que comparecerão a cerimonia. Estão ficando lindas. Esse vestido foi feito por ela, aliás. – comentei tentando mud…

O Príncipe e eu... (parte 1)

Imagem
Quando eu desci a escadaria principal, vi diante dos meus olhos um dos bailes mais lindos que já vi. Todo o salão do palácio estava decorado, do teto pendiam os balaústres de cristais, o cheiro de rosas e realeza oriental. As mesas ornamentadas de em tecido de seda nas cores dourado e branco. Todos os convidados em seus trajes finos e caros, a musica tocando ao fundo.
             Meu vestido longo deslizava por entre as escadas, meu coração batia descompassado pelo medo de ser notada pelas pessoas da festa, e também pelo medo de ser notada por ele. Estaria eu a altura daquelas pessoas da realeza? Príncipes e princesas do oriente, magnatas árabes, CEOs americanos e brasileiros.             Porém, meus olhos traiçoeiros na verdade o procurava. E o vi, ele estava no meio do salão dançando com a mãe. Seu terno preto, os cabelos curtos, mas que Tan os matinha rebeldes. Os olhos pretos e puxados, a face coreana e bronzeada que eu tanto amava, alto e esguio, este era o meu Kim Ta…