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Sobre os denários...

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Somos um jardim de virtudes. Há tantas virtudes espalhadas por nossa alma, tantas delas. Porém, quantos de nós não as escondemos, quantos de nós não enterramos nossos “denários” e nos recusamos a retirá-los de dentro da terra; por orgulho, egoísmo, ás vezes medo também. Penso que as dificuldades que surgem em nosso caminho são postos em nossas vidas não por acaso, mas para que despertemos sobre quais denários insistimos em esconder. De início, a vontade súbita é de correr, de não enfrentar, mas me pergunto agora: Qual virtude te falta nesta vida? Amor? Paciência? Perdão? Fé? Coragem? Desenterrar não é fácil, existe sempre o medo do fracasso. Mas quando não o fazemos, é como se nós mesmos colocássemos uma grande pedra sobre o rio dos nossos destinos, e tudo que há de bom no rio da vida fica retido. Não há como descobrir o que nos espera a próxima margem se não soltarmos as amarras, não há como ver a luz de nossas virtudes se insistimos em enterrá-las no coração. Você não está sozinho, por mais…

Writting...

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Era frio, era frio por várias semanas. A neve branca cobria as folhagens verdes que hibernavam a espera do milagre.
Na quietude e no silêncio que demorava meses, eis que surge os primeiros raios de luz.
As gotas começam a atingir o branco que lentamente torna-se transparente. As primeiras flores desabrocham nos galhos das árvores, era a primavera que despertara após o longo, mas necessário, inverno.
No silêncio e na quietude mantém-se a fé, por causa da certeza das respostas que virão no findar-se deste tempo. A passagem é lenta, certamente que sim, mas não é hesitante...

Pedaços

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Em um mundo de dias cinzas, é possível encontrar pedaços coloridos de amor de paz? É possível manter a fé no amor? Esperança? Ouvi de uma escritora da vida que o amor é verbo, não substantivo. Pois o amor requer ação, atitudes. Porém, quantas vezes ficamos? Quantas vezes ficamos e encaramos a verdade? Fugir é mais fácil, bem sei. Mas não resolve, não muda o desafio intacto no caminho. O mundo é caos agora e, por entre prédios destruídos e forças esvaídas, me pergunto onde você está. Antes do fim, é possível unirmos nossos pedaços de amor e paz?
 Você pode tomar o amor como verbo, e não apenas deixá-lo como um nome na sarjeta?

l'écriture

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Algumas pessoas escrevem sobre a natureza, Ou sobre a política, Alguns escrevem sobre o movimento dos astros, Números matemáticos, quem sabe... Eu escrevo sobre o coração, Sobre uma linguagem tão simples e complexa ao mesmo tempo. Forte e perfeita como uma tempestade... a linguagem do coração. Eu fecho os olhos e sinto as palavras, as letras encaixando-se como uma dança. Quando escrevo o mundo inteiro silencia como que para ouvir os meus pensamentos, as palavras surgem e nesta valsa de letras a magia acontece. Eu escrevo a linguagem dos pensamentos, sobretudo das palavras não ditas que de teimosas, não surgem por entre os lábios, mas estão ali, Na surdina, na espreita da mente humana. Escrever é minha oração em movimento.



Leveza

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"Fecha os olhos, Se concentra nos movimentos. E quando você abrir os olhos, Não vai mais ser tão difícil." (O pequeno segredo)

Sobre a cerca...

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Era uma vez uma cerca antiga e manchada, onde nela o Sol sempre iluminava antes de se pôr no horizonte. Uma flor vermelha fora deixada sobre a cerca, e vi um cavalo meio manco, meio desajeitado contemplando tristemente a linda flor que repousava sobre a madeira já gasta. Dizem pelas redondezas sobre o quanto o cavalo era solitário e rude, a ninguém deixava se aproximar. Possuía cicatrizes das mais difíceis de curar: são aquelas que flagelam o coração. Todos desconheciam a razão do nobre domador de cavalos o ter comprado, dado o desprezo do animal pelo bicho homem, mas ali estava ele com sua solidão e dor. Mas a vida o fez aproximar-se de uma menina. Uma menina que aos poucos foi aquecendo seu coração selvagem, adoçando os dias naquele pasto com seus pequenos torrões de açúcar nas mãos delicadas. E todos os finais de tarde eu assistia o encontro dos dois, vinha aquele cavalo manco e desajeitado e de bom grado aceitava a pequena recompensa da menina que sorria para ele. Tantos cavalos exi…

O que você faria senão tivesse medo?

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O que você faria senão tivesse medo? O que faria se soubesse que te restam apenas mais um dia de vida? O caminho sobre o muro não seria mais tão atraente, eu acredito. Não haveriam mais distancias, nem desculpas, certo? Desculpas para ir aquela viagem tão planejada, Aquele abraço que fica sempre para depois, Ou aquele amor que o coração machucado teima em deixá-lo entrar de novo. O que você faria se te restassem só mais algumas páginas do livro da vida? O caminho da dúvida continuaria sendo o mais seguro? Sempre achamos que teremos todo o tempo do mundo, então, das mais variadas formas, descobrimos que o tempo já passou. Há flores vermelhas, brancas e azuis caídas sobre o chão, e o silêncio de alguns livros que se fecharam. Existem muitos que amadurecem depois que perdem, muitos que precisam ver a porta fechada para acordar de que era aquele o caminho, Mas há quem desperte faltando um minuto para o final do segundo tempo, No campeonato das oportunidades da vida, Aquela pequena lâmpada…